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Primeiravista
Ah! tu que me acolheste, aqui nesta tua terra
Como a flor acolhe a chuva ? Brasilis
Terra em brasa, luz, calor e hospedagem
Que me aceitaste na minha passagem
D'Além mar por esta terra arco-íris
Eu cá viajante astuto bem disfarçado em hóspede
Que a uma casa santa chega e bate e entra
O dono acolhe e logo a mesa põe
Enquanto meu poder alheio te penetra,
Inspeciono a tua moradia e sem saber sabê-la
Minha alma, sem saber que é tão arma
Grava em ti com golpe de afiada pá
A crença no que fez a minha terra morta.
Casa viva! Anterior a tudo
Tempo de todo o tempo!
Recebe-me atônita e vivamente aberta,
Vibrante, o teu dom de credo
Na doutrina que eu trouxe tão áspera
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Ah, guerreira de outras guerras,
Canto primeiro, tímpano das vinhas.
Penetrei crispando, crismando o som que tinhas
Urina no teu ventre,
Arroto em teus tambores
Chão, e brisas.
Meu fel na tua saliva
Devolve Em língua
A voz que anoitece junto à minha.
Comemorações 500 anos
Regina Gontardi Gulla, 2000
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