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Leia Joãozinho e Mariazinha, na íntegra, logo abaixo. Em seguida, você encontra os textos das pessoas que recontaram a história. Cada uma delas escolheu um personagem (a bruxa, o pai, a mãe). Cada conto foi narrado do ponto de vista do personagem escolhido pelo autor.
Então, temos um conto narrado pela voz do pai, outro pela voz da mãe, etc.
São ótimos estímulos para você se aventurar a escrever.
Escolha você também um dos personagens. Reescreva o conto do ponto de vista dele.
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Aqui, todos aprendemos com todos.
Lembre-se: na aventura de escrever, deixe as críticas e o julgamento para um outro dia.
Se a gente nascesse sabendo, não precisava experimentar, não é mesmo?
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Seção Joãozinho e Mariazinha
JOÃOZINHO E MARIAZINHA
conto de Grimm
Perto de uma grande floresta, vivia um pobre lenhador com sua mulher e
dois filhos; o menino chamava-se Joãozinho e a menina, Mariazinha. O
homem tinha pouca coisa para mastigar, e certa vez, quando houve grande
fome no país, ele não conseguia nem mesmo ganhar o pão de cada dia. E
quando ele estava, certa noite, pensando e se revirando na cama de tanta
preocupação, suspirou e disse à mulher:
- O que será de nós? Como poderemos alimentar nossos pobres filhos, se
não temos mais nada nem para nós mesmos?
- Sabes de uma coisa, - respondeu a mulher, - amanhã bem cedo
levaremos as crianças para a floresta, onde o mato é mais espesso. Lá
acenderemos uma fogueira e as deixaremos sozinhas. Elas não vão achar
mais o caminho de volta para casa e estaremos livres delas.
- Não, mulher, - disse o marido - eu não farei isso; como poderei
forçar meu coração e deixar meus filhos abandonados na floresta? As
feras selvagens viriam logo estraçalhá-los.
- És um tolo, - disse ela, - então teremos de morrer de fome, os
quatro; já podes procurar as tábuas para os nossos caixões. - E não lhe
deu sossego até que ele concordou.
- Mas eu tenho dó das pobres crianças mesmo assim, - disse o marido.
As duas crianças, que também não conseguiram dormir por causa da fome,
ouviram tudo que a madrasta dissera ao seu pai. Mariazinha chorou
lágrimas amargas e disse a Joãozinho:
-Agora estamos perdidos!
Abriu a porta e se esgueirou para fora. A lua brilhava
bem clara, e as pedrinhas brancas na frente da casa brilhavam como
moedas de prata. Joãozinho abaixou-se e encheu os bolsos com aquelas
pedrinhas, quantas cabiam. Então ele voltou depressa para casa e disse a
Mariazinha:
-Consola-te, irmãzinha querida, e dorme tranqüila, Deus não vai nos
abandonar, e voltou a deitar-se na cama.
Quando começou a amanhecer, antes do sol nascer a mulher já
foi entrando e acordando as crianças:
-Acordai, seus preguiçosos; nós vamos para a floresta buscar lenha.
-Isto é para o vosso almoço, mas não comais antes, porque depois não
ganhareis mais nada.
Mariazinha pôs o pão debaixo do avental, porque os bolsos do Joãozinho
estavam cheios de pedrinhas. Então puseram-se todos a caminho da
floresta. quando já tinham andado um pouco, Joãozinho olhou para trás,
para a casa, e fez isso outra vez, e outra vez. O pai falou:
-Joãozinho, o que ficas olhando ali e te atrasando? Presta atenção e
olha para a frente!
-Ora, pai, -falou Joãozinho, -estou olhando para o meu gatinho branco
que está no telhado e quer me dar adeus.
A mulher falou:
-Bobo, não é o gatinho; é o sol da manhã que brilha na chaminé.
Mas Joãozinho não olhava para o gatinho, e sim jogava cada vez mais
pedrinhas brilhantes do bolso para o caminho.
Quando eles chegaram no meio da floresta, o pai falou:
- Agora juntai lenha, crianças, eu quero acender uma fogueira, para que
não sintais frio.
Joãozinho e Mariazinha trouxeram gravetos, um montinho deles.
Os gravetos foram acesos e, quando a chama já ardia bem alta, a mulher
disse:
-Agora, deitai-vos junto ao fogo, crianças, e descansai, enquanto
nós entramos na floresta e procuramos lenha. Quando terminarmos,
voltaremos para buscar-los.
Joãozinho e Mariazinha ficaram sentados junto ao fogo e, quando chegou
o meio dia, cada um comeu o seu pedaço de pão. E como estavam ouvindo os
golpes do machado, pensaram que o pai estava perto. Mas, não era o
machado, era um galho que o pai amarrara a um árvore seca, que o vento
fazia bater de um lado para outro.
Ficaram lá sentados muito tempo, até que seus olhos se fecharam de
cansaço e ambos adormeceram profundamente. E quando acordaram, já era
noite fechada.
Mariazinha começou a chorar e disse:
-Como é que vamos sair da floresta agora?
Mas Joãozinho a consolou: abriu a porta e se esgueirou para fora. A lua brilhava
bem clara, e as pedrinhas brancas na frente da casa brilhavam como
moedas de prata. Joãozinho abaixou-se e encheu os bolsos com aquelas
pedrinhas, quantas cabiam. Então ele voltou depressa para casa e disse a
Mariazinha:
-Consola-te, irmãzinha querida, e dorme tranqüila, Deus não vai nos
abandonar, e voltou a deitar-se na cama.
Quando começou a amanhecer, antes do sol nascer a mulher já
foi entrando e acordando as crianças:
-Acordai, seus preguiçosos; nos vamos para a floresta buscar lenha.
-Isto è para o vosso almoço, mas não comais antes, porque depois não
ganhareis mais nada.
Mariazinha pôs o pão debaixo do avental, porque os bolsos do Joãozinho
estavam cheios de pedrinhas. Então puseram-se todos a caminho da
floresta. Quando já tinham andado um pouco, Joãozinho olhou para trás,
para a casa, e fez isso outra vez, e outra vez. O pai falou:
-Joãozinho, o que ficas olhando ali e te atrasando? Presta atenção e
olha para a frente!
-Ora, pai, -falou Joãozinho, -estou olhando para o meu gatinho branco
que está no telhado e quer me dar adeus.
A mulher falou:
-Bobo, não é o gatinho; é o sol da manhã que brilha na chaminé.
Mas Joãozinho não olhava para o gatinho, e sim jogava cada vez mais
pedrinhas brilhantes do bolso para o caminho.
Quando eles chegaram no meio da floresta, o pai falou:
- Agora juntai lenha, crianças, eu quero acender uma fogueira, para que
não sintais frio.
Joãozinho e Mariazinha trouxeram gravetos, um montinho deles.
Os gravetos foram acesos e, quando a chama já ardia bem alta, a mulher
disse:
-Agora, deitai-vos junto ao fogo, crianças, e descansai, enquanto
nós entramos na floresta e procuramos lenha. Quando terminarmos,
voltaremos para buscar-los.
Joãozinho e Mariazinha ficaram sentados junto ao fogo e, quando chegou
o meio dia, cada um comeu o seu pedaço de pão. E como estavam ouvindo os
golpes do machado, pensaram que o pai estava perto. Mas, não era o
machado, era um galho que o pai amarrara a um árvore seca, que o vento
fazia bater de um lado para outro.
Ficaram lá sentados muito tempo, até que seus olhos se fecharam de
cansaço e ambos adormeceram profundamente. E quando acordaram, já era
noite fechada.
Mariazinha começou a chorar e disse:
-Como é que vamos sair da floresta agora?
Mas Joãozinho a consolou:
-Espera um pouquinho, até que apareça a lua, então acharemos o caminho.
E quando surgiu a lua cheia, Joãozinho tomou a irmã pela mão e seguiu
as pedrinhas brancas que brilhavam como moedas de prata recém cunhadas,
e mostravam o caminho `as crianças. Caminharam a noite inteira e
chegaram de madrugada `a casa de seu pai. Bateram na porta e, quando a
mulher abriu e viu que eram Joãozinho e Mariazinha, foi logo dizendo:
-Ó crianças más por que ficastes tanto tempo dormindo na floresta? Nós
pensamos que não queríeis voltar mais para casa.
Mas o pai ficou contente, porque lhe doera o coração ter deixado as
crianças assim sozinhas e abandonadas.
Pouco depois, houve novamente miséria por toda parte, e as crianças
ouviram a madrasta falando ao pai, de noite, na cama:
-Já consumimos tudo de novo; temos ainda meio filão de pão, depois será
o fim de tudo. Temos de nos livrar das crianças; vamos leva-las para
mais fundo na floresta, para que não encontrem mais o caminho de volta.
Não há outra salvação para nós.
Isto era doloroso para o coração do homem, e ele pensou: "Melhor seria
repartir o último bocado com as crianças". Mas a mulher não queria ouvir
nada do que ele dizia, ralhou com ele e repreendeu-o. Quem diz "A" tem
de dizer "B" e, já que ele cedera da primeira vez, tinha de faze-lo
também agora.
Mas as crianças ainda estavam acordadas e escutaram a conversa. Quando
os velhos adormeceram, Joãozinho se levantou, como da outra vez, mas a
mulher trancara a porta e ele não conseguiu sair. Mas ele consolou a
irmãzinha e disse:
-Não chores, Mariazinha, e dorme tranqüila; o bom Deus vai nos ajudar.
De manhã cedo a mulher veio e tirou as crianças da cama. Elas
receberam seu pedacinho de pão, que era ainda menor que o anterior. No
caminho da floresta , Joãozinho esfarelou-o dentro do bolso, parou
diversas vezes e jogou no chão uma migalha atrás da outra.
-Joãozinho, por que ficas parando e olhando para trás? - perguntou o
pai. - Vai andando em frente.
-Estou olhando para minha pombinha, que esta pousada no telhado e quer
me dar adeus, - respondeu Joãozinho.
-Bobo, - resmungou a mulher, - não é pombinha nenhuma, é o sol da
manhã brilhando na chaminé.
Mas Joãozinho ia jogando migalhas após migalhas pelo caminho.
A mulher levou as crianças ainda mais fundo na floresta, onde eles
nunca estiveram antes em toda a vida. Lá fizeram novamente uma grande
fogueira, e a madrasta falou:
-Ficais sentadas aqui, crianças, e quando estiverdes cansadas, podeis
dormir um pouco; nós vamos para dentro do mato corta lenha e `a
tardinha, quando terminarmos, viremos buscá-las.
Quando foi meio-dia, Mariazinha, repartiu o seu pão com Joãozinho, que
espalhara o seu pelo caminho. Então eles adormeceram, e anoiteceu, mas
ninguém veio buscar as pobres crianças. Elas acordaram quando já era
noite fechada, e Joãozinho consolou a irmãzinha e disse:
-Espera só, Mariazinha, até que apareça a lua; aí poderemos ver as
migalhas de pão que eu fui espalhando,e elas nos mostraram o caminho de
volta para casa.
Quando a lua surgiu, eles prepararam-se para ir,
mas não encontraram nenhuma só migalha, porque os milhares de pássaros
que voavam na floresta e no campo as bicaram todas. Joãozinho disse a
Mariazinha:
-Nós vamos encontrar o caminho!
Mas eles não o encontraram. Caminharam a noite inteira e mais um dia,
de manhã até a noite, mas não conseguiram sair da floresta. E estavam
com muita fome, pois não tinham comido nada a não ser umas poucas bagas
que acharam no chão. E como estavam tão cansados que as pernas não os
carregavam mais, deitaram - se debaixo de uma árvore e adormeceram.
Agora já era o terceiro dia desde que eles saíram da casa do pai.
Recomeçaram a caminhada, mas só se aprofundavam cada vez mais na
floresta, e se não lhes viesse ajuda logo, morreriam de fome. Quando foi
meio-dia, eles viram um lindo passarinho branco como a neve pousando
num ramo, cantando tão bem que eles pararam para escutá-lo. E quando
terminou, bateu as asas e saiu voando na frente deles, e eles o seguiram, até que ele chegou a uma casinha, sobre cujo telhado
pousou. E quando eles chegaram bem perto, viram que a casinha era feita
de pão e coberta de bolo, e as janelas eram açúcar transparente.
-Agora vamos avançar nela, -disse Joãozinho, -e fazer uma refeição
abençoada. Quero comer um pedaço do telhado! Mariazinha, tu podes comer
um pedaço da janela, ela é doce. Joãozinho estendeu a mão para o alto e
arrancou um pedacinho do telhado, para provar seu gosto, e Mariazinha
ficou perto da vidraça, para mordiscá-la.
Mas eles ouviram uma voz fina gritando de dentro da casa:
"Roque, roque, roidinha,
Quem roeu minha casinha-"
As crianças responderam:
"Não foi ela, não fui eu,
Foi o vento que roeu".
E continuaram a comer, sem se deixarem perturbar. Joãozinho, que gostou
muito do sabor do telhado, arrancou um bom pedaço dele, Mariazinha
soltou uma vidraça redonda inteira, sentou-se e ficou comendo.
De repente, a porta se abriu e apareceu, arrastando os pés, uma mulher
muito, muito velha, apoiada numa muleta. Joãozinho e Mariazinha ficaram
tão assustados, que deixaram cair o que tinham nas mãos. Mas a velha
balançou a cabeça e disse:
-Ei, lindas crianças, quem vos trouxe aqui? Entrai, ficai comigo que não
vos farei mal.
Ela tomou os dois pela mão e levou-os para dentro da casinha. E
serviu-Lhes boa comida, com panquecas e açúcar, maçãs e nozes. Depois
arrumou-lhes duas boas caminhas com alvos lençóis, e Joãozinho e
Mariazinha deitaram-se nela, pensando que estavam no céu.
Mas a velha só se fingira de boazinha, pois era uma bruxa malvada, que
tocaiava crianças, e só construíra aquela casinha de pão para
atraí-las. Quando uma criança caía em seu poder, ela a matava, cozinhava
e comia, e era para um dia de festa. As bruxas têm olhos vermelhos e
não enxergam muito longe, mas possuem um faro fino como os animais e
percebem quando a gente se aproximando. Quando Joãozinho e Mariazinha
estavam chegando, ela riu, um riso mau e disse zombeteira:
-Estes eu já peguei, não me escaparam mais.
De manhã cedinho antes que as crianças acordassem, ela se levantou e,
quando as viu dormir tão bonitas, com suas bochechas redondas e coradas,
resmungou consigo mesma: "Este aqui será um bom bocado!" Então ela
agarrou Joãozinho com a sua mão ossuda, levou-o
para um curralzinho e trancou-o atrás de uma porta gradeada: ele podia
gritar à vontade, que não lhe adiantaria nada.
Aí, ela foi até a Mariazinha, acordo-a com uma sacudidela e gritou:
-Acorda, preguiçosa, vai buscar água e cozinha alguma coisa boa para
teu irmão, que está lá fora no curral e precisa engordar. Quando ele
estiver bem gordo vou come-lo.
Mariazinha começou a chorar amargamente, mas era tudo em vão, ela tinha
que fazer o que a bruxa malvada mandava.
Agora o pobre Joãozinho era alimentado com a melhor comida, enquanto
Mariazinha só ganhava cascas de caranguejo. Todas as manhãs a velha
manquitolava até o curralzinho e dizia:
-Joãozinho, mostra-me teus dedos, para eu sentir se já estás gordinho.
Mas Joãozinho lhe passava pela grade um ossinho de frango, e a velha,
que tinha a vista fraca, não podia vê-lo e pensava que era um dedo do
Joãozinho, e se admirava porque ele não queria engordar. Quando se
passaram quatro semanas e Joãozinho continuava magro, ela perdeu a
paciência e não quis esperar mais.
-Aqui, Mariazinha, - gritou ela para a menina; -anda ligeiro e traz a
água! amanhã eu vou mata-lo e cozinhá-lo.
Ai, como se lamentava a pobre irmãzinha, obrigada a carregar a água, e
como lhe escorriam as lágrimas pelas faces abaixo!
-Meu bom Deus, ajuda-nos! -exclamou ela, -antes as feras selvagens nos
tivessem devorado na floresta, pelo menos teríamos morrido juntos!
-Poupa-me esta choradeira, -disse a velha; -não vai te adiantar nada.
De manhã cedo, Mariazinha teve de sair para pendurar o caldeirão com a
água e acender o fogo.
-Primeiro vamos assar o pão, - disse a velha, -eu já esquentei o forno
e sovei a massa.
E ela empurrou a pobre Mariazinha para fora, para o forno de assar, do
qual já escapavam as chamas do fogo.
-Enfia-te lá dentro, -ordenou a bruxa, -e vê se o forno já está quente
para que possamos empurrar o pão pra dentro.
Assim que Mariazinha estava quase dentro, ela quis fechar o forno para
que Mariazinha lá ficasse assada, porque ela queria devora-la também.
Mas mariazinha percebeu o que a bruxa tinha em mente e disse:
-Não sei como posso fazer isso - como é que posso entrar lá?
-Menina burra, - disse a velha bruxa, - a abertura é grande o bastante;
eu mesma posso passar por ela, - e ela chegou pertinho e enfiou a cabeça
no forno.
Então Mariazinha deu-lhe um empurrão tão forte que ela caiu lá dentro
inteira, e a menina bateu a portinha de ferro e puxou o ferrolho.
"Uuu!" A velha começou a uivar horrivelmente, mas Mariazinha saiu
correndo e a bruxa perversa teve de parecer queimada.
Então Mariazinha correu direto para Joãozinho, abriu seu curralzinho e
gritou:
-Joãozinho, estamos livres, a bruxa velha está morta!
Então Joãozinho saltou fora como um passarinho libertado da gaiola.
Como eles ficaram felizes, como se abraçaram e pularam e se beijaram! E
como não precisava mais ter medo, eles entraram na casa da bruxa. E lá
estavam, em todos os cantos caixinhas cheias de pérolas e pedras
preciosas.
-Estas são ainda melhores que as pedrinhas brancas, - disse Joãozinho,
e encheu os bolsos com quantos cabia neles, e Mariazinha disse:
-Eu também quero levar alguma coisa para casa, - e encheu seu
aventalzinho.
-Mas agora vamos embora, - disse Joãozinho, - para que possamos sair
dessa floresta enfeitiçada.
Depois que eles caminham algumas horas, chegaram num grande lago.
-Não podemos passar, - disse Joãozinho; - não vejo prancha nem ponte.
-E também não há barquinho nenhum, - respondeu Mariazinha, - mas lá
está um pato branco nadando; se eu lhe pedir, ele nos ajudará.
E ela
gritou:
-Patinho, patinho, aqui estão Mariazinha e Joãozinho, Não vemos
nem prancha nem ponte, leva-nos no teu alvo dorso!
O patinho aproximou-se logo, Joãozinho montou nele e pediu que a
irmãzinha montasse junto.
-Não, -disse Mariazinha, - assim será pesado demais para o patinho; ele
que leve um de nós de cada vez.
Foi o que fez o bom animalzinho e, quando os dois já estavam seguros do
outro lado e caminharam um pouco mais adiante, o mato começou a
parecer-lhes mais conhecido. E finalmente eles avistaram de longe a casa
de seu pai.
Então eles puseram-se a correr, precipitaram-se para dentro de casa e
caíram nos braços do pai. O homem não tivera nem um momento de paz, desde que deixara os filhos na floresta, a mulher já morrera.
Mariazinha sacudiu seu aventalzinho e as pérolas e as pedras preciosas
saíram pulando pelo chão, e Joãozinho tirava dos bolsos um punhado atrás
do outro e os juntava àquelas.
Então, todas as tristezas tiveram fim, e eles viveram juntos e felizes.
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